Este poema é de uma altura, por volta de 1995, em que eu tive um desânimo imenso de viver ( vulgarmente designado por depressão ).
Dizem que nestas se alturas se escrevem as coisas mais bonitas. Concordo, mas acrescento que se escrevem coisas muito sofridas e, ainda hoje, me lembro exactamente do que sentia quando escrevi este poema.
De certa forma, a "dúvida indefinível" permanece até hoje.
PERTURBAÇÃO
Na confusão de ser eu
Ou não ser nem ficar
na dúvida indefinível
de querer o infinito
ou deixar correr o rio
da rua onde nasci.
Não sei a que horas
Tocou o despertador
Mas agora é tarde
E a chuva e o vento
Destruíram tudo o que era meu.
Talvez amanhã não seja assim
Talvez a dúvida e o vento
Se vão embora pelo corredor
E então eu, feliz, fecharei a janela.
Um lugar para brincar com palavras e ideias. Para partilhar. Para nunca esquecermos quem somos. O que sentimos. Para minimizar a mágoa de não podermos estar em vários sítios ao mesmo tempo. A corrida apressada da vida. A impossibilidade de conhecer tudo o que existe. A saudade já.
terça-feira, julho 06, 2004
domingo, julho 04, 2004
Quando eu imitava Fernando Pessoa
INTERSECÇÃO
As pessoas viviam
Do lado de cá da janela.
Aqui deste lado o tempo parou.
As aranhas, pacientes, tricotam as teias
O pó, suavemente, pousou sobre tudo
As pessoas, alheadas, ficaram na janela
Havia um relógio que marcava o tempo
Naquele silêncio
Também houve em tempos
Uma criança a rir.
Agora é nada, só névoa
As teias enredam os pensamentos, lentos
Lá fora a luz é viva, o sol é quente
Jactos de luz atravessam a vidraça
E acendem infinitas partículas de pó
No chão o arco-íris
No ar o vazio do tempo
E lá fora barulho, buzinas, vida
Como se aqui o relógio nunca tivesse parado
Ah! Como sinto a falta da minha infância
Do tempo feliz em que atravessava a janela.
As pessoas viviam
Do lado de cá da janela.
Aqui deste lado o tempo parou.
As aranhas, pacientes, tricotam as teias
O pó, suavemente, pousou sobre tudo
As pessoas, alheadas, ficaram na janela
Havia um relógio que marcava o tempo
Naquele silêncio
Também houve em tempos
Uma criança a rir.
Agora é nada, só névoa
As teias enredam os pensamentos, lentos
Lá fora a luz é viva, o sol é quente
Jactos de luz atravessam a vidraça
E acendem infinitas partículas de pó
No chão o arco-íris
No ar o vazio do tempo
E lá fora barulho, buzinas, vida
Como se aqui o relógio nunca tivesse parado
Ah! Como sinto a falta da minha infância
Do tempo feliz em que atravessava a janela.
sexta-feira, julho 02, 2004
Sophia
Hoje tinha pensado nela. Achei que também deveria ter colocado um link para os seus textos.
O mar. Como ela sabia dizer o mar.
Liberdade
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade
Sophia de Mello Breyner Andersen
E afinal, foi embora hoje...
E deixou ficar tudo para nós.
Como é possivel não gostar de poesia?
O mar. Como ela sabia dizer o mar.
Liberdade
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade
Sophia de Mello Breyner Andersen
E afinal, foi embora hoje...
E deixou ficar tudo para nós.
Como é possivel não gostar de poesia?
Um blog é uma preocupação
Acho que esta coisa de ter um blog não condiz nada com a minha vida. Ou melhor tem tudo a ver, mas só vem complicá-la.
Não é que agora dou por mim a pensar nisto? A pensar que preciso de tempo para lhe dedicar. Coisa que não tenho em abundância. A tal corrida apressada da vida. A necessidade de viver tudo e ver o tempo a fugir.
Pois é, agora tenho um blog. Em vez de escrever textos para o meu vasto arquivo, vou escrever aqui o que entender que pode algum interesse para quem me visite.
Hoje andei preocupada com o teor dos últimos textos. É muito futebol na curta vida do meu blog.
Fiquei preocupada a pensar que depois não faz sentido pegar em algum dos meus poemas e colocá-lo aqui.
Combina mal : futebol e poesia. É como preto e castanho. Não casam.
Mas, se pensar bem, combina comigo. Gosto de tudo o que me faz sentir que estou viva.
Gosto de escrever pelo lado lúdico de brincar com palavras e colocá-las no texto, como se fizesse um puzzle. Preciso de escrever para pôr em pensamentos coisas que sinto, muitas vezes em demasia.
Gostei deste ambiente de futebol por todo o tipo de emoção que lhe esteve associada. O patriotismo a uma escala desconhecida. A postura, a atitude dos outros povos. O convívio. A festa.
E escrevi dois posts sobre futebol.
Mas nada me impede de amanhã colocar um poema.
Claro que tenho que pedir desculpa a um amigo, o Clark Kent, que torceu o nariz quando lhe disse que ia pôr aqui uns poemas. Se calhar esse nunca mais me vem visitar. Mas eu aceito que ele não goste de poesia, ele tem que compreender que eu gosto.
Não é que agora dou por mim a pensar nisto? A pensar que preciso de tempo para lhe dedicar. Coisa que não tenho em abundância. A tal corrida apressada da vida. A necessidade de viver tudo e ver o tempo a fugir.
Pois é, agora tenho um blog. Em vez de escrever textos para o meu vasto arquivo, vou escrever aqui o que entender que pode algum interesse para quem me visite.
Hoje andei preocupada com o teor dos últimos textos. É muito futebol na curta vida do meu blog.
Fiquei preocupada a pensar que depois não faz sentido pegar em algum dos meus poemas e colocá-lo aqui.
Combina mal : futebol e poesia. É como preto e castanho. Não casam.
Mas, se pensar bem, combina comigo. Gosto de tudo o que me faz sentir que estou viva.
Gosto de escrever pelo lado lúdico de brincar com palavras e colocá-las no texto, como se fizesse um puzzle. Preciso de escrever para pôr em pensamentos coisas que sinto, muitas vezes em demasia.
Gostei deste ambiente de futebol por todo o tipo de emoção que lhe esteve associada. O patriotismo a uma escala desconhecida. A postura, a atitude dos outros povos. O convívio. A festa.
E escrevi dois posts sobre futebol.
Mas nada me impede de amanhã colocar um poema.
Claro que tenho que pedir desculpa a um amigo, o Clark Kent, que torceu o nariz quando lhe disse que ia pôr aqui uns poemas. Se calhar esse nunca mais me vem visitar. Mas eu aceito que ele não goste de poesia, ele tem que compreender que eu gosto.
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