A cesta tinha quatro pés pequenos e duas tampas que fechavam com um encaixe. Feita de vime, com velatura laranja.
A minha
mãe adorava cestas artesanais. A nossa casa era quase um museu de artesanato. Sempre que comprava uma ficava tão feliz.
Mas, o bicho da madeira atacou a cesta de piquenique.
Durante semanas mudei-a de lugar, vi o pó a
acumular-se sob ela. Um dos pés foi completamente devorado por
dentro. Até que partiu. Fiquei ali, parada, com um pequeno
cilindro oco de vime na mão. Percebi que não precisava de decidir, a decisão já tinha sido tomada por mim.
E fui pô-la no caixote do lixo.
Depois, fiquei um pouco triste e pensativa.
O que é que ela teria feito? Teria encontrado uma solução? Um canto para a guardar?
Ela guardava as coisas para além da sua utilidade. Dizia «guarda o que não presta, terás o que te faz falta». Tinha aquele espírito de reutilizar, era uma ecologista anterior à ecologia.
Além disso, cada objeto representava uma memória, um momento, uma conversa.
Na verdade, ninguém precisava de tantas cestas. Mas ela comprava-as na
mesma e enchia a casa com a sua alegria infantil.
Às vezes, perpetuo este hábito e ainda compro uma cesta da qual não preciso. Vejo uma numa feira e penso: ela
vai gostar. Pego no telemóvel para lhe mandar uma fotografia, e depois
lembro-me. Ninguém vai ver aquela mensagem.
Há meses em que quase me esqueço. Depois, um objeto banal, um cheiro, uma música, a luz captada de uma certa forma, levam-me ao momento em que ainda a tinha comigo. E sofro a sua falta como se tivesse
acontecido agora. Dizem que a saudade não passa com o tempo.
A cesta de piquenique estava condenada. Eu sei. O que atirei para o caixote do lixo não foi a cesta. Foi um pequeno laço que me ligava a ela. Uma conversa nunca terminada. O silêncio.


