Já alguma vez teve vontade de fazer uma viagem ao passado e
ouvir como se pronunciava o português clássico?
Se tiver curiosidade, espreite o blogue FAZT.
Um lugar para brincar com palavras e ideias. Para partilhar. Para nunca esquecermos quem somos. O que sentimos. Para minimizar a mágoa de não podermos estar em vários sítios ao mesmo tempo. A corrida apressada da vida. A impossibilidade de conhecer tudo o que existe. A saudade já.
Já alguma vez teve vontade de fazer uma viagem ao passado e
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Amanhã, 31 de julho, o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo vai reabrir ao público.
Veja mais na notícia do jornal Público no link abaixo:
"Instalado na histórica Estação da Luz, o Museu da Língua Portuguesa é um dos primeiros museus totalmente dedicados a um idioma no mundo e promove um mergulho na história e na diversidade do idioma através de experiências interactivas, conteúdo audiovisual e ambientes imersivos."Ainda sobre o betacismo – “troca de v’s pelos b’s” ou, mais precisamente,
pronunciar todos os sons (b e v) como “b” – nesta foto podemos ver o exemplo
que dei no texto anterior acerca da não existência da letra “v” no alfabeto
latino e lá está o “v” com o som de “u”:
Aqvi apareceo nossa senhora da ora lovvado seja o sanctissimo sacramento
A partir do séc. XVI. com a introdução das letras j e v no alfabeto, a par das mudanças poçiticas decorrentes não só da reconquista cristã - que promoveiu o contacto com a língua e cultura árabes mas também com a transferência de poder para o centro do reino e com a ascensão da segunda dinastia (dinastia de Avis) - que tirou o protagonismo à nobreza do norte de Portugal - o padrão culto da língua passou a ser o falado no sul e as variantes do Norte perderam a sua influência.
Já ouviu falar
em betacismo? É um conceito muito interessante que explica uma questão de
sotaque e que traduz também a riqueza da História do nosso país e da região
onde nos inserimos.
O betacismo, referido normalmente por trocar o "v" pelo "b", é a designação para um fenómeno linguístico que na prática consiste na pronúncia de todos os sons "v" como "b". Observa-se no norte de Portugal, mas também no castelhano, galego, no sul de Itália e em algumas regiões do nordeste e do centro-oeste brasileiros.
Dito de uma forma muito genérica, tem a ver com o facto de, no latim, a letra "b" representar a consoante oclusiva bilabial sonora, enquanto que o "v" era uma ortografia alternativa para a letra "u". O som "v", tal como o conhecemos hoje, não existia.
Quem é que não reparou já que nas lápides de igrejas antigas a palavra "Deus" aparece escrita como "Devs", por exemplo? Escrevia-se desta forma, mas lia-se com som "u".
Na realidade, o alfabeto latino não tinha as letras “j” e “v” –
estas foram introduzidas no século XVI para representarem o “i” e
o “u” com funções consonânticas.
O galaico-português, com origem no noroeste da península, foi falado durante a Idade Média nas regiões de Portugal e da Galiza e deu origem à língua portuguesa e ao galego.