terça-feira, março 30, 2021

Uma árvore


Ofereceram-me uma árvore

À falta de um filho

Deram-me esta imortalidade

Mas o que fazer com ela

Se não tenho chão?


Há um jardim aqui ao lado

É de cimento branco

Branca a aridez

Branco o brilho

Branca a solidão

Dos cegos de Saramago


Avenidas e ruas

Permanecem vazias

De todos os lugares no mundo

Não existe nenhum onde brote vida

Apenas tempo infindo e lento

E um medo difuso

Que nos faz escolher a sombra

Quando escapamos do cativeiro


Mas nunca escapamos

Essa é a verdade que vai sobrar

Depois de nos dizerem

Podes ir


Nunca mais os dias

Voltarão à inocência

Do tempo em que éramos invencíveis

Deram-me uma árvore

E agora não há mais jardins

                                        

Foto de Luís Miguel Duarte

(@luismjjduarte)


 

sexta-feira, fevereiro 19, 2021

O Museu da Língua Portuguesa

O Museu da Língua Portuguesa, em S. Paulo, reabre em julho, seis anos após o incêndio  (ler mais)


segunda-feira, fevereiro 08, 2021

Os dias

 


Não ouço ninguém

O silêncio da casa

É um lugar sozinho

Onde o tempo se arrasta

Sem nenhum relógio a bater

Os dias escorrem

Pela janela

Lentos

E respirar é um privilégio

Que ficou no passado