segunda-feira, novembro 05, 2007

Notas soltas



A verdade é que o leitor mudou. Os livros, hoje, são produtos de consumo. As pessoas compram livros como compram um electrodoméstico, ou uma vitamina. O livro tem que servir para alguma coisa, tem que resolver um problema específico. Em outras palavras, as pessoas compram o livro para se enganarem.

Patricia Melo em entrevista à revista Ler


Foto de João Coutinho

segunda-feira, outubro 22, 2007

Bem-vinda à realidade



É uma grande aventura contemplar o universo para além do homem, pensar no que significa sem o homem - tal como foi durante a maior parte da sua longa história e tal como é na grande maioria dos lugares. Quando esta visão objectiva é finalmente alcançada, e o mistério e a majestade da matéria são apreciados, voltar a focar o olho objectivo no homem visto como matéria e ver a vida como parte de um mistério universal da maior profundidade é experimentar algo que raramente é descrito.
(...)
Estas visões cientificas resultam em fascínio e mistério, perdidos na fronteira da incerteza, mas parecem ser tão profundas e impressionantes que a teoria de que tudo está simplesmente arranjado como um palco para Deus ver o homem a lutar pelo bem e pelo mal parece ser inadequada.


Richard P. Feynman in O prazer da descoberta


Sempre suspeitei que estamos inevitável e fatalmente entregues a nós mesmos.


Foto de João Coutinho

quarta-feira, outubro 03, 2007

Sete vidas



Nunca soube o teu nome. Entraste numa tarde,
por engano, a perguntar se eu era outra pessoa -
um sol que de repente acrescentava cal aos muros,
um incêndio capaz de devorar o coração do mundo.

Não te menti; levantei-me e fui levar-te à porta certa
como um veleiro arrasta os sonhos para o mar; mas,
antes de te deixar, disse-te ainda que nessa tarde
bem teria gostado de chamar-me outra coisa - ou
de ser gato, para poder ter mais que uma vida.

Maria do Rosário Pedreira in Nenhum Nome Depois


Gostava de ter sete vidas. Não para morrer e renascer sete vezes, mas para as viver todas ao mesmo tempo. Agora mesmo.


Foto de João Coutinho

quinta-feira, setembro 27, 2007

Depois não digam que não acontece nada no Porto

VALE O QUE VALE
Adaptação e Encenaçãode Lee Beagley
a partir da peça expressionista
de Georg Kaiser"Von Morgens bis Mitternacht"(1916).


E S T R E I A 2 2 S E T E M B R O

De 22 de Setembro a 28 de Outubro
3ªfeira a domingo, todos os diasàs 21.30h

Sinopse:

A história de um roubo a um banco, perpetrado por um homem anónimo. Uma sátira económica e cómica sobre um suicídio.


As almas dos funcionários do banco estão fechadas no cofre do velho banco.O público visita o banco, conduzido pelo “Camelo”, o vagabundo anfitrião.


Aconteceu um acidente fatal. Esta é a história sobre esse acidente.


As portas do cofre abrem-se e delas saem os espíritos daqueles que não conseguem parar de trabalhar. Mesmo depois de mortos.


Tomé é um anónimo funcionário do banco.Um D.J. da rádio guloso e rico, uma italiana exótica coleccionadora de arte, um gerente do banco obcecado, uma artista hedonística, um grupo de vagabundos fundamentalistas, uma mãe e a sua família em quem não se pode confiar, todos eles conspiram contra Tomé numa viagem paranóica dia e noite, constantemente.


Uma viagem onde ele experimenta o que o dinheiro pode e não pode comprar.
Quando vale uma vida? Quanto vale a sua morte?


Mais informações aqui.


Já vi um outro trabalho das Produções Suplementares - a Relíquia de Eça de Queirós, representada num palácio em ruínas na Rua das Flores. O grupo escolhe sempre espaços não convencionais para apresentar as suas peças. Esta foi uma experiência única e inesquecível. Por isso, recomendo-os com toda a convicção.