Sete vidas

Nunca soube o teu nome. Entraste numa tarde,
por engano, a perguntar se eu era outra pessoa -
um sol que de repente acrescentava cal aos muros,
um incêndio capaz de devorar o coração do mundo.
Não te menti; levantei-me e fui levar-te à porta certa
como um veleiro arrasta os sonhos para o mar; mas,
antes de te deixar, disse-te ainda que nessa tarde
bem teria gostado de chamar-me outra coisa - ou
de ser gato, para poder ter mais que uma vida.
Maria do Rosário Pedreira in Nenhum Nome Depois
Gostava de ter sete vidas. Não para morrer e renascer sete vezes, mas para as viver todas ao mesmo tempo. Agora mesmo.
Foto de João Coutinho


14 Comments:
Que fome tens tu de vida...
Beijo grande
Da mesma forma que nos desfazemos de uma roupa usada para pegar numa nova, assim a alma se descarta de um corpo usado para se revestir de novos corpos...
...sofreguidão??!!
olha eu tb!!!
:)
Se eu fosse um gato, não precisaria olhar para ambos os lados antes de atravessar a rua. Precisaria, à segunda vez, dependendo da sorte da vez anterior.
A vida é assim mesmo. As pessoas entram e saem, sem permissão e a olhar para o lado. Infelizmente.
Bjzz
tu amas a vida!!!
é bonito, gosto da Maria do Rosário Pedreira!
bonito poema. não conhecia Maria do Rosário Pedreira. demonstra bem a explosão do momento. há quem diga que deve ser esse o estado normal e o que vivemos apenas uma sombra.
Ou, melhor do que isso, dormir cem anos, para só acordar no séclo XXII.
Boa semana.
Gostei destas palavras...
Não conhecia a autora.
Beijinho linda ;)
...há muito que aqui não vinha...mas hoje venho dar-te um abraço bem forte ;)...
Beijinhosssssss
Sete vidas simultâneas? Menos renúncias, mais escolhas.
Nossa que lindo...
Além do que... morrer sete vezes deve ser muito desagradável!
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