Significado: Ter dinheiro para viver.
Origem:
Nos séculos XVIII e XIX, os alfinetes eram artigos de luxo que as mulheres usavam como adornos. Estas pequenas peças decorativas custavam caro, e as mulheres precisavam de poupar especificamente para comprá-las. Esse dinheiro guardado ganhou o nome de «dinheiro dos alfinetes» ou simplesmente «alfinetes».
Com o tempo, os alfinetes transformaram-se em objetos utilitários e baratos, mas a expressão manteve-se viva na língua portuguesa. E não apenas na linguagem coloquial: chegou aos textos legais.
O Código Civil Português de 1867, aprovado por D. Luís e atribuído ao Visconde de Seabra, incluía um artigo que reconhecia este direito económico das mulheres casadas.
O artigo 1104 estabelecia:
«A mulher não pode privar o marido, por convenção antenupcial, da administração dos bens do casal; mas pode reservar para si o direito de receber, a título de alfinetes, uma parte do rendimento dos seus bens, e dispor dela livremente, contanto que não exceda a terça dos ditos rendimentos líquidos.»
Repare bem neste artigo: a lei permitia ao marido administrar os bens do casal, mas reconhecia que a mulher tinha direito a uma pequena percentagem dos rendimentos dos seus próprios bens. Uma concessão limitada, sem dúvida, mas que garantia pelo menos algum dinheiro que ela controlava sozinha.
Este «dinheiro dos alfinetes» representava uma das poucas formas de autonomia económica que as mulheres casadas podiam reivindicar legalmente. A expressão que começou com adornos caros acabou por simbolizar algo maior: o direito de uma mulher ter recursos próprios, mesmo que fossem apenas «para os alfinetes».
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