terça-feira, junho 25, 2024

Sete vidas

 


Nunca soube o teu nome. Entraste numa tarde,

por engano, a perguntar se eu era outra pessoa -

um sol que de repente acrescentava cal aos muros,

um incêndio capaz de devorar o coração do mundo.

 

Não te menti; levantei-me e fui levar-te à porta certa

como um veleiro arrasta os sonhos para o mar; mas,

antes de te deixar, disse-te ainda que nessa tarde

bem teria gostado de chamar-me outra coisa - ou

de ser gato, para poder ter mais que uma vida.

 

Maria do Rosário Pedreira in Nenhum Nome Depois


Foto de João Coutinho


P.S. Para ler mais sobre língua portuguesa, visite o meu blogue profissional FAZT.