
Hoje um homem uivou na janela do meu carro, no semáforo. Toda a aparência dele justificava aquele rugido.
Se me assustei foi só porque momentos antes tinha parado para deixar um passarinho acabar o seu banho numa poça de água. Estava perdida num pensamento feliz sobre os momentos encantados que ainda se podem viver numa cidade.
O uivo dele devolveu-me a realidade.
Foto de João Coutinho