quarta-feira, janeiro 21, 2015

Outono



O varredor da minha rua enfurece-se tanto com o Outono. À hora em que saio ele já varreu até meio da rua, olha para trás e diz-me: já viu? Não é frustrante? Olho e reconheço que sim. Já lhe sugeri que vá abanando as árvores antes de varrer. Grande gargalhada que demos. 

Foto de Luís Miguel Duarte

domingo, agosto 03, 2014

Solitas, solitatis

A Saudade é um sentimento universal; mas, só na alma lusitana, atinge as alturas supremas da Poesia -, contendo uma concepção da vida e da existência.

Pascoaes, T. (1986). Da saudade. Em A. Botelho & A.B. Teixeira (Orgs.). Filosofia da Saudade (p.124-144). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda. (Original publicado em 1952).


Habitados a tal ponto pela saudade, os portugueses renunciaram a defini-la. Da saudade fizeram uma espécie de enigma, essência do seu sentimento da existência, a ponto de a transformarem num ‘mito’. É essa mitificação de um sentimento universal que dá à estranha melancolia sem tragédia que é o seu verdadeiro conteúdo cultural, e faz dela o brasão da sensibilidade portuguesa.

Lourenço, E. (1999). Mitologia da Saudade: seguido de Portugal como destino. São Paulo: Companhia das Letras.

Foto de João Coutinho