Um lugar para brincar com palavras e ideias. Para partilhar. Para nunca esquecermos quem somos. O que sentimos. Para minimizar a mágoa de não podermos estar em vários sítios ao mesmo tempo. A corrida apressada da vida. A impossibilidade de conhecer tudo o que existe. A saudade já.
terça-feira, junho 12, 2012
segunda-feira, junho 11, 2012
segunda-feira, junho 04, 2012
segunda-feira, maio 28, 2012
sexta-feira, maio 11, 2012
Bernardo Sassetti
com asas de gaivota
fugimos lépidos delicados
da gravidade de isaac
na mesa da cozinha
estava um raio de sol
maças vermelhas
uma tarde branca
o cheiro a canela pelo ar
embrulhava-se em paixão
com o piano
que voou da sala
foi há muito tempo
um dia lento e aromático
na época das cerejas e dos sonhos.
( escrito em 2006 e inspirado numa das músicas do album Indigo )
quarta-feira, março 21, 2012
O dia da poesia com o meu poema favorito
desolado incerto quase eventual
com que morava em minha casa
assim ele habitou cidades
desprovidas
ou os portos levantinos a que
se ligava apenas por saber
que nada ali o esperava
assim se reteve nos campos
dos ciganos sem nunca conseguir
ser um deles:
nas suas rixas insanas
nas danças de navalhas
na arte de domar a dor
chegou a ser o melhor
mas era ainda a criança perdida
que protesta inocência
dentro do escuro
não será por muito tempo
assim eu pensava
e pelas falésias já a solidão
dele vinha
não será por muito tempo
assim eu pensava
mas ele sorria e uma a uma
as evidências negava
por isso vos digo
não deixeis o vosso grande amor
refém dos mal-entendidos
do mundo
José Tolentino Mendonça in Anos 90 e Agora, Uma antologia da Nova Poesia Portuguesa
Foto de Luís Miguel Duarte
segunda-feira, março 19, 2012
Expressões idiomáticas: do tempo da Maria Cachucha
quinta-feira, março 08, 2012
quinta-feira, fevereiro 23, 2012
Zeca Afonso - Canção de Embalar
Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme ainda à noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer
Zeca, reportagem no JN
sexta-feira, fevereiro 17, 2012
quinta-feira, fevereiro 09, 2012
O acordo ortográfico
Paulo Franchetti, director da editora da Unicamp descoberto nos Dias Felizes
terça-feira, fevereiro 07, 2012
Lost Angels' Project to Kill Mankind
“Anjos Perdidos”, ou “L.A. – Lost Angels’ | Project to Kill Mankind”, é um espectáculo para adolescentes (M/12) co-produzido pela Fábrica das Artes e Teatro da Garagem.
In Público
quinta-feira, janeiro 26, 2012
Havemos de engordar juntos
As canções e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que não falem dos serões a ver televisão no sofá? Não há explicação. O amor também é estar no sofá, tapados pela mesma manta, a ver séries más ou filmes maus. Talvez chova lá fora, talvez faça frio, não importa. O sofá é quentinho e fica mesmo à frente de um aparelho onde passam as séries e os filmes mais parvos que já se fizeram. Daqui a pouco começam as televendas, também servem.
Havemos de engordar juntos (...).
Amor burguês de José Luís Peixoto
Foto de Luís Miguel Duarte
terça-feira, janeiro 24, 2012
Travessa da Infância

Quietos fazemos as grandes viagens
só a alma convive com as paragens
estranhas
lembro-me de uma janela
na Travessa da infância
onde seguindo o rumor dos autocarros
olhei pela primeira vez
o mundo
não sei se poderás adivinhar
a secreta glória que senti
por esses dias
só mais tarde descobri que
o último apeadeiro de todos
os autocarros
era ainda antes
do mundo
mas isso foi
muito depois
repito
José Tolentino Mendonça in A noite abre meus olhos
Foto de Luís Miguel Duarte
quarta-feira, janeiro 18, 2012
A estrada branca

Atravessei contigo a minuciosa tarde
deste-me a tua mão, a vida parecia
difícil de estabelecer
acima do muro alto
folhas tremiam
ao invisível peso mais forte
Podia morrer por uma só dessas coisas
que trazemos sem que possam ser ditas:
astros cruzam-se numa velocidade que apavora
inamovíveis glaciares por fim se deslocam
e na única forma que tem de acompanhar-te
o meu coração bate
José Tolentino Mendonça in A estrada branca
Foto de Luís Miguel Duarte
quinta-feira, janeiro 05, 2012
quarta-feira, janeiro 04, 2012
Balada da Rita
Disseram-me um dia Rita põe-te em guarda
aviso-te, a vida é dura põe-te em guarda
cerra os dois punhos e andou põe-te em guarda
eu disse adeus à desdita
e lancei mãos à aventura
e ainda aqui está quem falou
Galguei caminhos de ferro (põe-te em guarda)
palmilhei ruas à fome (põe-te em guarda)
dormi em bancos à chuva (põe-te em guarda)
e a solidão não erre
se ao chamá-la o seu nome
me vai que nem uma luva
Andei com homens de faca (põe-te em guarda)
vivi com homens safados (põe-te em guarda)
morei com homens de briga (põe-te em guarda)
uns acabaram de maca
e outros ainda mais deitados
o coveiro que o diga
O coveiro que o diga
quantas vezes se apoiou na enxada
e o coração que o conte
quantas vezes já bateu p´ra nada
E um dia de tanto andar (põe-te em guarda)
eu vi-me exausta e exangue (põe-te em guarda)
entre um berço e um caixão (põe-te em guarda)
mas quem tratou de me amar
soube estancar o meu sangue
e soube erguer-me do chão
Veio a fama e veio a glória (põe-te em guarda)
passaram-me de ombro em ombro (põe-te em guarda)
encheram-me de flores o quarto (põe-te em guarda)
mas é sempre a mesma história
depois do primeiro assombro
logo o corpo fica farto
Sérgio Godinho - Balada da Rita ( com David Fonseca )
quinta-feira, dezembro 29, 2011
Dezembro é um mês bonito

Foto de Luís Miguel Duarte
segunda-feira, dezembro 19, 2011
sexta-feira, dezembro 16, 2011
...

E o amor transformou-se noutra coisa com o mesmo nome.
Era disto que falavam as mães quando davam conselhos
ás filhas e diziam: o amor vem depois. Era isto o depois.
Uma ternura simples, quase dolorosa, muitos silêncios,
todas as horas do dia e um poema que se dissolve dentro
de mim e que, devagar, sem rosto, desaparece.
José Luís Peixoto, in Gaveta de Papéis.
Foto de Luis Miguel Duarte ( praia da Adraga )


