Um lugar para brincar com palavras e ideias. Para partilhar. Para nunca esquecermos quem somos. O que sentimos. Para minimizar a mágoa de não podermos estar em vários sítios ao mesmo tempo. A corrida apressada da vida. A impossibilidade de conhecer tudo o que existe. A saudade já.
sexta-feira, maio 11, 2012
Bernardo Sassetti
com asas de gaivota
fugimos lépidos delicados
da gravidade de isaac
na mesa da cozinha
estava um raio de sol
maças vermelhas
uma tarde branca
o cheiro a canela pelo ar
embrulhava-se em paixão
com o piano
que voou da sala
foi há muito tempo
um dia lento e aromático
na época das cerejas e dos sonhos.
( escrito em 2006 e inspirado numa das músicas do album Indigo )
quarta-feira, março 21, 2012
O dia da poesia com o meu poema favorito
Aos poucos apercebi-me do modo
desolado incerto quase eventual
com que morava em minha casa
assim ele habitou cidades
desprovidas
ou os portos levantinos a que
se ligava apenas por saber
que nada ali o esperava
assim se reteve nos campos
dos ciganos sem nunca conseguir
ser um deles:
nas suas rixas insanas
nas danças de navalhas
na arte de domar a dor
chegou a ser o melhor
mas era ainda a criança perdida
que protesta inocência
dentro do escuro
não será por muito tempo
assim eu pensava
e pelas falésias já a solidão
dele vinha
não será por muito tempo
assim eu pensava
mas ele sorria e uma a uma
as evidências negava
por isso vos digo
não deixeis o vosso grande amor
refém dos mal-entendidos
do mundo
José Tolentino Mendonça in Anos 90 e Agora, Uma antologia da Nova Poesia Portuguesa
desolado incerto quase eventual
com que morava em minha casa
assim ele habitou cidades
desprovidas
ou os portos levantinos a que
se ligava apenas por saber
que nada ali o esperava
assim se reteve nos campos
dos ciganos sem nunca conseguir
ser um deles:
nas suas rixas insanas
nas danças de navalhas
na arte de domar a dor
chegou a ser o melhor
mas era ainda a criança perdida
que protesta inocência
dentro do escuro
não será por muito tempo
assim eu pensava
e pelas falésias já a solidão
dele vinha
não será por muito tempo
assim eu pensava
mas ele sorria e uma a uma
as evidências negava
por isso vos digo
não deixeis o vosso grande amor
refém dos mal-entendidos
do mundo
José Tolentino Mendonça in Anos 90 e Agora, Uma antologia da Nova Poesia Portuguesa
Foto de Luís Miguel Duarte
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