terça-feira, fevereiro 07, 2012

Lost Angels' Project to Kill Mankind



Dos diários dos dois jovens responsáveis pelo massacre de Columbine (em 1999, no Colorado, EUA) saiu o conceito deste projecto do Teatro da Garagem onde se procura “localizar a possibilidade geradora de uma visão de humanidade e do sublime na transparência cristalina da palavra que é proferida.

“Anjos Perdidos”, ou “L.A. – Lost Angels’ | Project to Kill Mankind”, é um espectáculo para adolescentes (M/12) co-produzido pela Fábrica das Artes e Teatro da Garagem.

In Público

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Havemos de engordar juntos




(...) Ter alguém que saiba o pin do nosso cartão multibanco é um descanso na alma. Essa tranquilidade faz falta, abranda a velocidade do tempo para o nosso ritmo pessoal. É incompreensível que ninguém a cante.

As canções e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que não falem dos serões a ver televisão no sofá? Não há explicação. O amor também é estar no sofá, tapados pela mesma manta, a ver séries más ou filmes maus. Talvez chova lá fora, talvez faça frio, não importa. O sofá é quentinho e fica mesmo à frente de um aparelho onde passam as séries e os filmes mais parvos que já se fizeram. Daqui a pouco começam as televendas, também servem.

Havemos de engordar juntos (...).

Amor burguês de José Luís Peixoto

Foto de Luís Miguel Duarte

terça-feira, janeiro 24, 2012

Travessa da Infância



Quietos fazemos as grandes viagens
só a alma convive com as paragens
estranhas

lembro-me de uma janela
na Travessa da infância
onde seguindo o rumor dos autocarros
olhei pela primeira vez
o mundo

não sei se poderás adivinhar
a secreta glória que senti
por esses dias

só mais tarde descobri que
o último apeadeiro de todos
os autocarros
era ainda antes
do mundo

mas isso foi
muito depois
repito


José Tolentino Mendonça
in A noite abre meus olhos

Foto de Luís Miguel Duarte

quarta-feira, janeiro 18, 2012

A estrada branca



Atravessei contigo a minuciosa tarde
deste-me a tua mão, a vida parecia
difícil de estabelecer
acima do muro alto

folhas tremiam
ao invisível peso mais forte

Podia morrer por uma só dessas coisas
que trazemos sem que possam ser ditas:
astros cruzam-se numa velocidade que apavora
inamovíveis glaciares por fim se deslocam
e na única forma que tem de acompanhar-te
o meu coração bate


José Tolentino Mendonça in A estrada branca

Foto de Luís Miguel Duarte