sexta-feira, dezembro 16, 2011

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E o amor transformou-se noutra coisa com o mesmo nome.
Era disto que falavam as mães quando davam conselhos
ás filhas e diziam: o amor vem depois. Era isto o depois.
Uma ternura simples, quase dolorosa, muitos silêncios,
todas as horas do dia e um poema que se dissolve dentro
de mim e que, devagar, sem rosto, desaparece.

José Luís Peixoto, in Gaveta de Papéis.


Foto de Luis Miguel Duarte ( praia da Adraga )

segunda-feira, maio 16, 2011

Hotel Inglês



Aprendo muito quando o verão acaba

Para lá das coisas habituais

O sinal ardente, primitivo:

Uma espécie de abandono sem socorro

Diferente da rendição


Apercebo-me do frio pela primeira vez

No vento, na água

Alugamos bicicletas para chegar à costa

À procura do que resta

Uma estação

Onde as imagens não naufraguem a cada instante


Também eu me recuso a dizer apenas

O que pode ser dito


José Tolentino Mendonça in A noite abre meus olhos

sexta-feira, março 11, 2011

Porque é que ás vezes me dão umas loucuras idealistas...

...porque, como alguém de disse um dia, não podemos esquecer quem somos e por onde passamos e eu acrescento: não podemos esquecer de quem somos filhos.

O que eu sei sobre ele

Tudo isto por causa do afamado dia 12 de Março de 2011.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Voar



Dás-me licença
De entrar na tua vida
E pendurar na parede da tua sala
A minha janela?
Posso desarrumar tudo
Tirar os sapatos
E estender-me no teu mundo ?
Espalhar nos teus minutos
Toda as dúvidas
Que trago comigo ?
Passear descalça pelo
Corredor das tuas certezas?
Desfazer a tua cama
e dormir atravessada nos teus sonhos?
Posso entrar e sair de casa
Dás-me a chave
E não me marcas horas?

Posso voar ?

Foto de Luís Miguel Duarte