quarta-feira, outubro 11, 2006

Todos os dias

Sobre a cama as metáforas
Parecem-me mais belas e
mais sublimes

uma carta,

o poder da língua que liberta os beijos e
as pálpebras em êxtase,
quando vem descendo em letra redonda e
a pertubar o meu sono

João Ricardo Lopes in a Pedra que chora como palavras


As metáforas mudas. Os pleonasmos tolos. As sinestesias inebriantes. A sinédoques cúmplices. As elipses mágicas.

Um balão de cristal com vinho tinto, o fim da tarde, a música baixinho, o granito molhado da rua, a mansarda no centro histórico. Nós.



Foto de João Coutinho

terça-feira, outubro 03, 2006

Regresso



Esta manhã o sol atravessou de repente
para o outro lado da rua - são tão sombrias

as casas quando delas se perde o nome de
alguém, tão escuros os corações dos que
ficam lá dentro para habitar a dor.


Maria do Rosário Pedreira in Nenhum Nome Depois


Acordo a sorrir de madrugada. Acordo a cada quinze minutos com o sino da torre que agora está aqui ao lado. Outra vez aqui ao lado. Voltei. A casa já não é a mesma, mas o lugar sou eu e sinto-me mais eu estes dias. Já não há salas com cantos escuros. O sol entrou, atravessou a rua e preencheu todos os espaços. É daqui que eu sou.


Foto de João Coutinho