terça-feira, agosto 15, 2006

Histórias da praia



Rimo-nos na esplanada com uma piada qualquer acerca do nevoeiro. Passado um bocado esse nevoeiro desceu e arrumou-se todo à volta do coração. Vai demorar algum tempo a dissipar-se. O tempo de arrumar no lugar das coisas boas os passeios pelas rochas, as grutas, os caranguejos gigantes, os piratas, os banhos intermináveis ao fim da tarde.
Olhei de relance uma revista. Falavam do sindroma de Peter Pan. Não quero crescer nunca. Mesmo quando a minha energia não tiver mais resposta no meu corpo e já não for capaz de escalar penedos, os meus olhos verão nas ondas os galeões, verão na praia o desembarque dos piratas, os tesouros escondidos na areia. Nesse dia a princesa já terá crescido e as lembranças estarão guardadas eternamente dentro de arcas cheias de tesouros.
A amizade sem datas. A gargalhada livre do fundo dos dias felizes.
Ficarão também para sempre os nossos nomes mimalhos. Biscoito grande, biscoito pequeno, bruxinhas, ratonços e pipiros.


Foto de Trieffele

terça-feira, julho 25, 2006

Férias



O blog vai de férias. Para começar vai ser por aqui e depois, bem, depois, quem sabe?...


Foto de João Coutinho

terça-feira, julho 18, 2006

Grilos e água nas noites


Numas destas noites quentes, uma experiência mágica no ar africano que agora invadiu o nosso serão. Um piano na escadaria de pedra. Uma magnólia gigante. Debussy acompanhado de grilos e de água a cair numa fonte. Folhas secas a estalarem no chão. A pianista magra de vestido acetinado vermelho escuro.
Já está quase a terminar, mas vale a pena: festival de ópera e música classíca de Ponte de Lima ou o fantástico projecto Opera Faber.

segunda-feira, julho 10, 2006

Do Minho



Que dizer sobre as flores amarelas que crescem na berma da estrada e dos arbustos que rompem a terra aqui e ali sem que ninguém os tenha semeado a não ser o vento? Que dizer da água fulgurante que desliza com ruído pelos balados abrindo sulcos na terra castanha, húmida, fértil?

Vivo na pátria exuberante onde os olhos tropeçam a todo o instante com formas excessivas, verdes, vivas, coloridas. Nenhum lugar existe para descansar o olhar. Ao ritmo da oferta ostensiva e intensa da natureza, os pensamentos fervem, borbulham, explodem. As mãos fervilham em vontade de fazer. O coração bate, sufoca, estoura.

A casa é todo o lugar donde se avistem as estrelas. A sala de estar a rua onde se escutam gargalhadas e vozes. Não me estranhem em todo o meu excesso. É daqui que eu sou. Sabendo que ser daqui, assim intensamente, me retira muitas vezes a paz de me encontrar comigo no silêncio.



Foto de João Coutinho