quarta-feira, janeiro 25, 2006

Estradas




Chove tanto nesta estrada. Tropeço na noite e não sei onde termina o caminho. Deixei-me lá atrás e agora fujo. Serão de ficar em casa à lareira quente, mas fugir é um lugar que se move.

Queria viver só do dia e da noite, do sol e da chuva, mas tenho que ir à bomba de gasolina encher o depósito, depois o supermercado, a lavandaria e a reunião com aquele homem com dedos curtos e gordos.

Depois os dias a dizer sim, a ver os esgares sim dos outros e a pensar em fugir lá para trás e consolar aquela menina que chora.

Escrevi isto por causa de Fernando Pessoa e de um poema de que não me lembro bem.

É para a Cristiane Urbinatti.


Foto de João Coutinho

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Secretamente




Corres em velocidade máxima sobre o globo
E sobes no balanço o céu a formar mortais
Deixas pegadas pelas nuvens
E caminhas pelo dia até ao entardecer
Apagando fogos-fátuos com suspiros

Ninguém te adivinha
Mesmo quando o teu sorriso desliza
Numa gota de água


Foto de João Coutinho