sexta-feira, dezembro 23, 2005

Natal



A poesia é a minha salvação. Afasta-me das coisas que me rodeiam, para me aproximar delas mais profundamente.

Tonino Guerra em entrevista a Carlos Vaz Marques, ontem na TSF em Pessoal e Transmissível


Também sobre o Natal, sinto a necessidade de me afastar do que me rodeia estes dias, para me aproximar do tempo em que na lareira da cozinha brilhava uma grande fogueira, cheirava a canela no ar e ouvia-se cantar as janeiras na torre da igreja. Não havia presentes, mas estávamos todos.


Desejo a vocês este Natal, sentido profundamente.


Foto de João Coutinho.

domingo, dezembro 18, 2005

Uma carta



Queria que soubesses que morei em tua casa. Andei contigo na escola primária e saí muitas vezes com os teus sapatos. Sei bem dos passos inseguros. Sei do espanto e do mundo silencioso no canto da sala. Lembro-me do fascínio pelas casas grandes e pelos segredos escondidos dentro dos armários.

Colei muitas vezes o nariz ao vidro da tua janela e pensei que também gostaria de brincar na rua. Mas tudo era demasiado longe por detrás daquela porta.

Se hoje existe um lugar onde nenhuma linguagem se fala e se nesse lugar nos encontramos inevitavelmente é porque percorremos longas distâncias lado a lado. Não diria mão na mão, porque a mão era só uma.



Foto de João Coutinho