quinta-feira, novembro 10, 2005

Coisas da avó


A minha avó materna tinha uma peculiar actividade: escrevia cartas.

A maior parte eram encomenda de raparigas que tinham os namorados " lá fora".
As cartas eram de tal forma intensas e apaixonadas que desta correspondência resultaram muitos casamentos.

Imagino a estranheza daqueles homens quando nunca chegaram a encontrar a mulher que as escrevia
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Foto de João Coutinho

domingo, novembro 06, 2005

Histórias da casa antiga ou coisas de formigas


Quanto cresceste? A que distância estás daquela menina?

Não te lembras bem e muitas vezes há um momento em que vais para lá. Viajas. Vês-te outra vez, deitada de barriga no chão encerado da sala, a olhar atentamente os carreiros de formigas.

A sonhar sobre o mundo paralelo que idealizaste. As formigas e as suas vidas. Onde vão em carreiros tão alinhados? Como conseguem carregar uma carcaça de mosca gigantesca? Porque se cumprimentam quando se encontram de frente?

E se puser aqui o lápis e interromper o trajecto?

Lembras-te? Eram assim algumas brincadeiras dos miúdos sozinhos.



Foto de João Coutinho