quarta-feira, outubro 19, 2005

Histórias de livros I


Há uns anos morreu um tio meu que nunca cheguei a conhecer. Não sei quase nada sobre ele. De tudo o que me disseram registei apenas uma coisa: adorava ler.

Na altura em que morreu morava numa pensão. Tinha enchido de tal forma a casa de livros que não sobrara lugar para ele.



Foto de João Coutinho

sexta-feira, outubro 14, 2005

O pesadelo


De que me falas eu não te ouço
Ontem sonhei que estava em nossa casa
Acordei sozinha no meio da rua

Não sei das portas as janelas não abrem
Gostava de sair daqui não sei andar

Perguntei ás pessoas como se respira
Ninguém sabe a resposta ninguém entende

Depois acordei outra vez e outra e outra
E não sei da casa e não te vejo

Onde estás onde estás onde estás

Estou acordada ou sonho ainda?



Foto de João Coutinho

quarta-feira, outubro 05, 2005

Do tempo e das viagens


Sento-me do lado avesso do relógio
Quero olhar com atenção despida de horas
É importante passear pelos dias fora
Pedir a Lorca o ladrão do tempo
E subitamente ver as máquinas
a andar para trás
Queria ir ao passado ao futuro ir ao longe
Sem este cordel que me prende o pulso neste dia




As formas circulares dos mostradores dos relógios, por exemplo, geram a ilusão de que as horas regressam sempre e isso nunca acontece. Se calhar, devíamos imaginá-los em forma de espiral.

Laurie Anderson, Anéis de Fumo, Assírio e Alvim, 1997 ( p.37 )


Foto de João Coutinho

quinta-feira, setembro 29, 2005

Palavras doutros - Dúvida



Que guardarão de mim as casas que
deixei? O pó sobre o meu nome?




Pedreira, Maria do Rosário, Nenhum Nome Depois, Lx, Gótica, 2004 (p.39)


Foto de João Coutinho