terça-feira, agosto 23, 2005

Cem nomes


Eu sou a que não sabe os nomes das coisas

Vou a lugares onde nada se chama
Inclino-me na terra
E suavemente escuto os corações a bater

Um dia perguntei a um velho na rua
Onde era a minha casa
Disse-me um nome que não sei pronunciar

A porta está gravada a sangue num coração

É lá que eu moro.



Foto de João Coutinho

sexta-feira, agosto 19, 2005

Finisterrae


Quando era pequena pensava que a terra era quadrada e que, uma vez chegados ao final, nos poderíamos debruçar e ver as estrelas.

Pensava na altura que isso seria algures na zona de uma estrada que eu vi uma vez e que terminava abruptamente no início de um monte.

Mais tarde soube que havia um lugar chamado Finisterrae e que ao longo dos séculos foi um lugar sagrado precisamente por se acreditar que aí era o fim do mundo.

A diferença deste para o “meu” fim do mundo é que aqui a terra termina no mar. E neste lugar o mar é mágico. Como se todas as recordações continuassem presentes. As minhas e as de todos que lá foram à procura de estrelas.



Foto de João Coutinho

quinta-feira, julho 21, 2005

Coisas importantes e férias também



- As flores mais bonitas que já recebi

- O presente de anos de uma amiga

- O fim de tarde em Ponte de Lima

- As fotos do João Coutinho

- As férias


Volto aqui na última semana de Agosto.

sábado, julho 16, 2005

Devolução


Não sinto culpa por não saber o nome das flores
Foram dúvidas o que sempre tive,

e as dores não admitem nomes.
Uma vez não acreditamos já tudo ter sido dito.
Espera-se numa palavra a devolução do amor.


De Paulo José Miranda, in Anos 90 e Agora, Quasi ( p. 223 )


Foto de João Coutinho