quarta-feira, julho 06, 2005

Brincadeiras


Brincavam as palavras como crianças
Riam as palavras algumas inventadas
Outras escondiam-se traquinas
E mostravam-se a espreitar atrás dos muros

As palavras pequeninas e as proibidas
Juntavam-se no jardim cheio de sombras
E faziam o sol tímido aparecer por entre as folhas

E o vento com doçura abraçava-as e levava-as
A rir pela manhã fora.

Os olhos sorriam em silêncio.



Foto de João Coutinho

quinta-feira, junho 30, 2005

"Donne-moi la photo"



Quand la Land Rover disparut en soulevant un nuage de poussière, Idriss n'était tout à fait le même homme. Il n'y avait a Tabelbala qu'une seule photographie. D'abord parce que les oasiens sont trop pauvres pour se soucier de photographie. Ensuite parce que l'image est redoutée par ces berbères musulmans. Ils lui prêtent un pouvoir maléfique; ils pensent qu'elle matérialise en quelque sorte le mauvais oeil.

Tournier, Michel, La Goutte D'Or, Paris, Gallimard, 1986 (pp 14/15)


Na altura não conhecia estas crenças, mas o efeito de desespero era o mesmo: não suportava que me fotografassem. Pouco tempo depois aprendi a juntar as letras e comecei a escrever poemas.

Se, em algumas culturas, as pessoas acreditam que a reprodução da imagem lhes rouba a alma, eu acreditei sempre que a palavra escrita preserva a minha.


Há um ano atrás comecei a escrever aqui.