quarta-feira, abril 06, 2005

Casa na Duna - Mulher na Praia


Passeia na praia a mulher da casa
O xaile negro torce-se ao vento
Chove outra vez não sei se é chuva
É frio é tanto frio que não sei donde

Onde está o cavalo o cavaleiro
Onde está tudo o que conhecia
Serão as grutas a uivar será o vento
Será a mulher em busca do cavalo
Do cavaleiro em reflexo na areia

Mas o mar uiva
Uiva o vento
Quem grita um nome?

O mar? Talvez o mar…



Foto de João Coutinho

quarta-feira, março 30, 2005

Casa na Duna - O Cavaleiro


Abrir a porta de encontro à sorte
A silhueta no reflexo
O luar branco a flutuar

Maré vazia no espelho de água
Cavalo negro e cavaleiro
Deixam as marcas na areia breve
Como se o tempo fosse parar

Seguia as trevas no teu encalço
Corria o mundo para te encontrar

Voltar a casa? Talvez voltar...



Foto de João Coutinho

terça-feira, março 22, 2005

Casa na Duna - O Teu Nome


O vento uiva o teu nome
Nas frinchas das janelas

É de mar o teu nome
Cheira a algas
Sabe na minha boca a sal

Viste-me chorar? Não viste

Os lugares onde choro são invisíveis
Como esta chama para onde olho
Como esta voz que escuto agora

O tempo passa passa o tempo
A veneziana impelida pelo vento
Bate a compasso na parede
Como o ponteiro dos segundos
No relógio que não tenho

Lá fora os ruídos da noite
Cá dentro o piano e lábios salgados

Não são lágrimas que provo
O mar ? Talvez o mar…



Foto de João Coutinho

domingo, março 20, 2005

Os nomes


Está o meu nome dentro do teu nome

Cheiram a sal a algas e a iodo
Arrepiam em salpicos de espuma branca

Ambos repetem ondas em melodia
Repetem o mar infinitamente

Os nomes ás vezes são maiores que oceanos



Foto de João Coutinho