Está o meu nome dentro do teu nome
Cheiram a sal a algas e a iodo
Arrepiam em salpicos de espuma branca
Ambos repetem ondas em melodia
Repetem o mar infinitamente
Os nomes ás vezes são maiores que oceanos
Foto de João Coutinho
Um lugar para brincar com palavras e ideias. Para partilhar. Para nunca esquecermos quem somos. O que sentimos. Para minimizar a mágoa de não podermos estar em vários sítios ao mesmo tempo. A corrida apressada da vida. A impossibilidade de conhecer tudo o que existe. A saudade já.
Está o meu nome dentro do teu nome
Cheiram a sal a algas e a iodo
Arrepiam em salpicos de espuma branca
Ambos repetem ondas em melodia
Repetem o mar infinitamente
Os nomes ás vezes são maiores que oceanos
Foto de João Coutinho
Desta vez pensei sobre a fragilidade
Ouvi ao longe uma explosão
E vi lágrimas e sangue e tanta dor
E várias mãos douradas a segurarem-me
A prenderem-me a abraçarem-me
E o túnel vertiginoso a deslizar nos meus olhos
E medo tanto medo tanto tanto tanto
E a mão dourada a tentar alcançar-me
E a mão dourada pousada na minha testa
E pensei que as pessoas de cristal se estilhaçam
Que as cidades não suportam pessoas de cristal
E nesse momento soube que há mãos que nos seguram
Que o amor não tem limites nem espaço nem tempo
De Maat :
vou escrevendo em cima dos andaimes da luz
a tua voz entrou pelas janelas das grandes cidades
aí o tempo ofuscou a memória das casas
e a cor natural dos campos verdes
já não há sinos nem pássaros nas árvores
para anunciar o meio-dia do vento
nem o silêncio tranquilo da tarde para adormecer
nos espelhos do adro
só as pequenas sílabas das abelhas escondidas nas colmeias
vêm em viagem pelo transitório sangue das calçadas
no ventre das pedras ouço o meu nome o teu nome
o estranho fogo de que o amor é feito
Foto de João Coutinho