quarta-feira, fevereiro 09, 2005

LA MAFIA se senta a la miesa*


Eelko van Mulder, não vou começar a fazer concorrência ás tuas fabulosas sugestões gastronómicas, mas a esta não resisto.

Há uns dias atrás fui jantar a um lugar especial. Com ingredientes cheios de charme. Deixou-me a sensação de estar inserida num cenário de filme e que a qualquer momento o Padrinho entraria porta dentro. Comida agradável - siciliana. Empregados solenes vestidos de negro. Decoração encenada, num edifício recuperado de alguma fábrica desactivada. Pé direito a perder de vista. Entre muitas, uma sobremesa surpreendente e sublime: gelado de limão com cava, servido numa flûte.

E este texto a apresentar o menu :


"A refeição de um mafioso equipara-se a uma liturgia.

Na história da Máfia a comida tem uma importância igual à que têm nos Evangelhos.

Daí que a história da Máfia se encontre estreitamente vinculada à história da gastronomia siciliana, uma das mais desconhecidas, mas também uma das mais suculentas de Itália.

Os “ Pezzi de noventa “, os passos dos noventa, que é como se chama em virtude do seu peso aos “ chefes da “ Honorável Sociedade “ dão os últimos retoques nos seus menus com o mesmo cuidado com que preparam os seus crimes.

Daí que a expressão “ cucinare el delitto “ , cozinhar o crime, seja uma expressão siciliana cujo significado está muito longe de ser casual."


Local : Matosinhos

( *Esclarecimento : o título deste texto é o nome do restaurante, ipsis verbis. Embora usando incorrectamente o termo " miesa " é assim mesmo que eles se entitulam. Obrigada )

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

A luz


Viajo nos teus olhos sabes
Agarro com força as penas
Do teu manto branco e voo
Deixo-me levar pela tua luz
Sei muitas vezes do que falas
Outras sei-o sem saber como o sei
Seremos talvez da mesma galáxia talvez
Mas eu procuro ainda os primeiros passos
Como uma criança perdida no infinito.


De Maat:

"nem tu sabes por quantos anos
voltarás ao arco do espaço
qualquer palavra que tu digas
estará escrita fora do tempo


segredo-te apenas o próximo bosque"



Foto de João Coutinho