segunda-feira, janeiro 10, 2005

Sobreviventes


Como uma criança atravesso ruas e avenidas
Os olhos pousam e voam rasando o mundo
Em todos os lugares que quero levar comigo
Entrego-me à vida com a doçura de quem não sabe mais
E nada mais sei do que existir sentindo o que me toca
Sei que não deveria dar-me assim sem medo
Dizem-me os conselhos que não se deve seguir em frente
Como se toda a gente se cruzasse nos caminhos
Com bandeiras brancas e olhos brilhantes de ternura
Sigo assim desprotegida dos que se escondem
Atrás de mágoas e intenções guerreiras de ferir
A brancura permanece intacta nos que sobrevivem
A fragilidade dos que não se protegem enche os dias de luz



Imagem de M.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

Dunas


Flutuo antes do sono por limbos de ideias
Suspiro por desertos dourados de areias
E vento a soprar no fim dos dias
Calor a escoar-se pelo frio das estrelas

Acordo no mesmo lugar tudo mudado
Fascínio dos descampados sem palavras
Onde só o brilho do sol me faz sorrir
Onde as tempestades doutras vidas
Não levam do meu céu a luz do norte



Imagem de M.