segunda-feira, janeiro 10, 2005

Sobreviventes


Como uma criança atravesso ruas e avenidas
Os olhos pousam e voam rasando o mundo
Em todos os lugares que quero levar comigo
Entrego-me à vida com a doçura de quem não sabe mais
E nada mais sei do que existir sentindo o que me toca
Sei que não deveria dar-me assim sem medo
Dizem-me os conselhos que não se deve seguir em frente
Como se toda a gente se cruzasse nos caminhos
Com bandeiras brancas e olhos brilhantes de ternura
Sigo assim desprotegida dos que se escondem
Atrás de mágoas e intenções guerreiras de ferir
A brancura permanece intacta nos que sobrevivem
A fragilidade dos que não se protegem enche os dias de luz



Imagem de M.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

Dunas


Flutuo antes do sono por limbos de ideias
Suspiro por desertos dourados de areias
E vento a soprar no fim dos dias
Calor a escoar-se pelo frio das estrelas

Acordo no mesmo lugar tudo mudado
Fascínio dos descampados sem palavras
Onde só o brilho do sol me faz sorrir
Onde as tempestades doutras vidas
Não levam do meu céu a luz do norte



Imagem de M.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Pessoas : Barragán



Barragán foi muito influenciado pela arquitetura árabe do sul da Espanha. Isso se evidencia na utilização dos jardins intimistas e na presença da água (com seu barulho) nas composições, nas elaboradas seqüências de passagem entre os diferentes espaços, na relação permanente entre o natural (vegetação, água, luz, céu, vento, visuais) e o artificial (jardins e ambiências), com o objetivo de criar um todo indivisível, um amálgama material-espiritual.
Isso vale tanto para os interiores quanto para os exteriores.


Jáuregui, Jorge Mário - Projecto Design

De todos os elementos sempre me senti água. A transparência agrada-me de variadas formas. Gosto de materiais translúcidos. Palavras transparentes. Sentimentos claros. Água. Do mar, do rio ou da chuva na janela. Um dia vi uma casa onde a água passeava pelos corredores. Foi a primeira vez que ouvi falar de Barragán.


segunda-feira, janeiro 03, 2005

Horizontes


Sentei-me à janela num banco de namorados
Em frente a mim um lugar vazio.

Olhei o circulo sem fim dos desencontros.

Sabes que não temo as auto-estradas
mas receio os caminhos sem volta
ao centro de mim.

Ás vezes o sorriso esconde
avalanches de lágrimas
a deslizarem por encostas
de pensamentos tristes.

Talvez nunca as vejas.
Serás capaz de as sentir
no arrepio das tuas costas?

Olho o horizonte.
Dizem que a terra gira.
Não vejo.



Foto de M.