segunda-feira, novembro 08, 2004

Próxima Estação


Castanhas e vermelhas amarelas
pousadas na mão do vento que te assola
páginas dos dias passam secas
calendários imperfeitos das histórias
Ficarás tu sentado à espera
como se nada esperasses que te mova?
E se o calendário se enganar nas tuas contas
e viesse ainda o Verão a te queimar?
Deixarias o mau tempo largar chuva nos teus olhos?
Ou como um mendigo dos Outonos
ficarias ainda hoje a esperar a Primavera?



Foto de João Coutinho

sábado, novembro 06, 2004

Presente


Que pequenas coisas encontro nas tuas gavetas
Guardanapos de papel rabiscados de lembranças
Que prisão te encerra nos anais do tempo
Que histórias repetidas de tão gastas
Te enchem ainda este momento
Não as guardes mais deita-as ao lixo
Não te prendas ao relógio abre a cela
Caminha para a luz dos rios calmos
Banha-te de estrelas no oceano deste dia.



Foto de Erik Reis

quinta-feira, novembro 04, 2004

Rua da Mágoa III


E o candeeiro
Que acende o escuro
Reflecte nela até ofuscar.

Essa pedra vento
Corre como água
E debaixo da lua
Da rua da mágoa
Desfaz-se no ar.



Foto de M.

terça-feira, novembro 02, 2004

Rua da Mágoa II


Branco precioso
Brilhante de lua
Diamante inteiro
Do fundo do mar.

E quando este brilho
Que o vento apregoa
Sente o cheiro neutro
Do fundo da rua
Estilhaça inteiro
Parte sem olhar.

Mascara-se em pedra
Sem cor, em cinzento
Com um brilho lento
Que teima em queimar.



Foto de M.