Nesse momento lembrei-me da época em que aprendi a dançar folclore minhoto. Muito pequenina. Depois das férias na praia, as noites de Verão eram preenchidas com esta actividade. O irmão de uma amiguinha de infância, verdadeiro purista das coisas do Minho, chegava com os amigos para passar o mês de Setembro por cá e organizava serãos dançantes.
A casa era um belíssimo solar no centro da vila, com claustros e um mui nobre pátio em pedra. Era lá que se dançava e ele tocava concertina. Os grandes ensinavam os pequenos . E lá tirávamos os sapatos e os pezinhos tentavam acompanhar as coreografias complexas, as voltas e as trocas. Rapidamente nos familiarizamos com aquilo, pois de alguma maneira parecia que nos corria nas veias aquele ritmo e energia.
E depois a maior das emoções. As Feiras Novas no terceiro fim-de-semana de Setembro.
Um lugar para brincar com palavras e ideias. Para partilhar. Para nunca esquecermos quem somos. O que sentimos. Para minimizar a mágoa de não podermos estar em vários sítios ao mesmo tempo. A corrida apressada da vida. A impossibilidade de conhecer tudo o que existe. A saudade já.
terça-feira, setembro 28, 2004
segunda-feira, setembro 27, 2004
Festa I
Uma noite quente na esplanada da praça. Subitamente um ruído estridente que surpreendeu. Olho para trás e vejo um grupo de homens com lanternas e uma mulher vestida com o fato de trabalho tipicamente minhoto a puxar por um carro de bois. Os bois com uns olhos enormes e pachorrentos e cornos revirados, com uma canga sobre a cabeça. O carro, totalmente feito em madeira, chiava com o peso do milho. Exactamente igual aos carros antigos que eu via passar nas aldeias quando era miúda. E lá estava a estranha explicação para o ruído que me tinha assustado. Ia acontecer ali na praça uma simulação de desfolhada e eu não sabia.
Pouco de seguida mais uma novidade: concertinas e castanholas! E de repente a noite tranquila de conversa encheu-se de música e de alegria. E o meu pé logo a fugir para a dança. Há coisas que estão na alma e nem sei explicar porquê. Também sou música. Todas as músicas. Até esta. Não resisto a uma concertina e a um par de castanholas.
E começa assim mais uma viagem ao passado.
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