quarta-feira, agosto 04, 2004

Inconstância


Ficava contente se me deixasses. Se dissesses que a culpa é minha e que não presto. Assim não teria que explicar o que não quero e ouvir um rol infinito de argumentos e justificações.

Gostava de ficar sozinha agora. Ficar na minha casa, no meu recanto. Não ter que dizer mais nada ou achar que tudo o que sinto tem que fazer sentido

O que sinto não faz sentido, nem tem mais explicação que essa : SENTIR. Não gosto de explicar sentimentos se eu própria não os entendo.

Será que alguém um dia vai conseguir viver nesta inconstância. E gostar de mim sem me perguntar nada?


Foto de Rui Vale Sousa

terça-feira, agosto 03, 2004

Explicação


Faço poemas a metro
A centímetro, a milímetro.
De vez em quando dá-me para isto,
não quer dizer que seja poeta
Porque não sou.
Quer dizer simplesmente
Que procuro acordar em mim
Sentimentos que não quero que
Adormeçam nunca.



Foto de Rui Vale Sousa

segunda-feira, agosto 02, 2004

Até quando?


O cavalo louco
Galgava as montanhas
Espreitava as casas
Sempre sem parar
Indomado, quente
Deixava no rasto
A cinza, os escombros´
Ás vezes a morte
E gente a chorar

domingo, agosto 01, 2004

Sábado

Sábado à noite conheci um pescador.
O seu barco parara
No semáforo à espera
E o mar revolto não conhecia cores
Nem vermelho.
O pescador morreu
Afogado na mágoa
De tanto esperar
E a vida seguiu indiferente
No meio do ruído ensurdecedor
Das buzinas de sábado á noite.