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quarta-feira, outubro 03, 2012

Orfãos



Houve uma noite em que pensei 
Que ia morrer 
Não sei bem se foi pensamento ou
Um quase sonho 
Naqueles minutos que antecedem 
o esquecimento 

Eu não sei onde estão as mãos 
Que me deviam embalar 
Limpar o suor da testa 
Onde estão os lábios 
Que me deviam cantar 
Dar beijos no cabelo 

Sei apenas que no corredor do medo 
Não há ninguém 
Que abra a porta e diga: 
Vem por aqui 
É este o caminho para tua casa. 


Foto de Luís Miguel Duarte

sexta-feira, maio 11, 2012

Bernardo Sassetti

 

com asas de gaivota
fugimos lépidos delicados
da gravidade de isaac

na mesa da cozinha
estava um raio de sol
maças vermelhas
uma tarde branca

o cheiro a canela pelo ar
embrulhava-se em paixão
com o piano
que voou da sala
foi há muito tempo

um dia lento e aromático
na época das cerejas e dos sonhos.


( escrito em 2006 e inspirado numa das músicas do album Indigo )

quinta-feira, dezembro 29, 2011

Dezembro é um mês bonito



Porque tem o Natal. Porque termina um ano e a esperança renova-se. Porque este ano esteve cheio de sol. Porque continuamos todos juntos e somos felizes.


Foto de Luís Miguel Duarte

sexta-feira, março 11, 2011

Porque é que ás vezes me dão umas loucuras idealistas...

...porque, como alguém de disse um dia, não podemos esquecer quem somos e por onde passamos e eu acrescento: não podemos esquecer de quem somos filhos.

O que eu sei sobre ele

Tudo isto por causa do afamado dia 12 de Março de 2011.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Voar



Dás-me licença
De entrar na tua vida
E pendurar na parede da tua sala
A minha janela?
Posso desarrumar tudo
Tirar os sapatos
E estender-me no teu mundo ?
Espalhar nos teus minutos
Toda as dúvidas
Que trago comigo ?
Passear descalça pelo
Corredor das tuas certezas?
Desfazer a tua cama
e dormir atravessada nos teus sonhos?
Posso entrar e sair de casa
Dás-me a chave
E não me marcas horas?

Posso voar ?

Foto de Luís Miguel Duarte

quinta-feira, outubro 28, 2010

O falador



Dos muitos livros que li, há alguns que deixam uma recordação muito forte. No caso de ' O falador', de Mário Vargas LLosa, o que me ficou foi o curioso facto de, depois de ler mais ou menos um terço do livro, ter começado a formular os pensamentos como o protagonista ( índio machiguenga da Amazónia peruana ): por etapas, quase aos soluços, sem um fio condutor tal como o conhecemos. É um bom livro, sem dúvida. Recomendo.


quarta-feira, dezembro 23, 2009

Boas Festas


Com votos de que 2010 seja um ano tranquilo, cheio de bons sentimentos e emoções.

segunda-feira, outubro 26, 2009

De onde viemos



Hoje, alguém me contou a história de vida do seu pai. Quase pedindo desculpa pelo orgulho com que falava nele. Essa mesma pessoa disse que não podemos nunca esquecer donde viemos e por onde passamos. Era tudo o que eu precisava de ouvir neste momento.

'Tu não és como nós'. Não, não sou mesmo.



Foto de João Coutinho

quinta-feira, julho 23, 2009

Dejá-vu



Têm sido arredios os dias de luz, sem estradas infinitas no meio do Thar.

Hoje de manhã viajei junto ao rio até um sítio no passado que não sei onde é. Cheio daquela luz de água.

Hoje sou uma mulher mais paciente, já sei contar estrelas pelos dedos sem me enganar. Tenho uma casa na montanha onde me refugio ao fim do dia.

Sou feliz e inteira e, no entanto, ainda pugno por um dia de liberdade total.



Foto de João Coutinho

quinta-feira, julho 16, 2009

Cinco anos



O blog fez cinco anos há cerca de quinze dias. Nem me lembrei, ando tão ocupada a viver...


Foto de João Coutinho

sexta-feira, junho 26, 2009

Do baú: Estradas



A seguir contavas-me uma história
Escutava atenta mergulhada nos teus olhos
Não eram as palavras que ouvia
Via os quadros que pintavas
Em cores que só eu conheço e tu me ensinas

A seguir contavas-me uma história
Falavas-me das viagens que fazes pelo mundo
Disseste-me também que não vieste
Mas eu sabia a dada altura que já estavas
Mesmo sem teres chegado ainda

É que há estradas em cima das estradas
Umas são de alcatrão
Outras não são

Serão de terra ou de lua
Têm caminhos concretos e destinos certeiros

São essas que te trazem antes de chegares



Foto de João Coutinho

terça-feira, abril 28, 2009

Despertença



Aninhei-me quieta no teu colo à espera do momento em que descobrisses. Agora sabes bem que nunca estive lá. Nunca estive em lugar nenhum a não ser neste caminho luminoso que só encontro no silêncio. Uma flecha atirada sem rumo, sem arco, sem mão. Nunca fui de nada. Esta despertença deu-me o dom de partir a toda a hora, de ir embora antes de verem mais do que este ‘nenhum cabelo fora do lugar’. O grande drama é viver sem epiderme. Sem camada superficial que proteja do vento gelado. Tudo dói tanto. Tudo dói.

Há algo que se perdeu. Insinua-se ás vezes num pensamento, mas escapa sempre sem se desvendar. O que se perdeu? O que se terá perdido que me deixa tão tranquila?

Dezembro de 2008


Foto de João Coutinho

sexta-feira, abril 17, 2009

O que eu sei sobre ele II



Disseram-me há dias que sou igual a ele: a forma do rosto, os dentes, as mãos. Sou mais morena, apenas. No resto igual.


Foto de João Coutinho

quarta-feira, março 25, 2009

Do baú: A Barburinha



Contam-me que usei chupeta até muito tarde. Muito tarde quererá dizer três anos. Acontecia que era muito agarrada a esse objecto e disso lembro-me bem. Ás vezes não tinha chupeta para dormir. Nessas alturas fazia uma grande birra e a minha mãe levava-me para a janela e contava-me uma história.

A história da Barburinha. Era uma mulher de longa capa que surgia do escuro e descia a rua que se via de minha casa. Essa mulher levava os meninos que choravam muito pela chupeta.

Nesse tempo morava cá uma senhora que usava umas capas com gola de pele, o cabelo loiro sempre muito bem penteado, sapatos de saltos altíssimos. Muito elegante. Ninguém me disse nada, mas nunca tive dúvidas que era ela a Barburinha.



Foto de João Coutinho

segunda-feira, março 09, 2009

As palavras



As palavras sussuram
como segredos confiados às caixas de correio
As palavras aquecem as mãos
geladas abraçadas aos joelhos
As palavras não rimam
como o vento não rima nas frinchas das janelas

Ontem estava sol naquela rua onde passo
todos os dias e não te vi

De que cor são as palavras?



Foto de João Coutinho

O melhor lugar do mundo



Dentro de um abraço.


Foto de Nuno Palma

terça-feira, março 03, 2009

Um gesto



Nem mais nem menos que lábios voláteis beijando os teus cabelos
Nem mais nem menos que dedos transparentes na pele do teu rosto


quinta-feira, fevereiro 12, 2009

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Eu vou



As aulas de sevilhana do João Hydalgo libertam-me de todas as coisas pardacentas e aborrecidas dos dias. Eu estarei lá, no workshop de 24 e 25 de Janeiro.