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segunda-feira, novembro 29, 2004

... cais


também eu
naveguei e agora regresso aqui
olhar naufragado em telas
riscadas.
abandono-me agora.



Texto e foto de Madness

quarta-feira, novembro 24, 2004

... tempo




Não haverá futuro. Apenas uma fogueira.
Ainda as cores com que te enfeitas. Hoje.
Sobre elas a memória do pensamento. Ontem.
Trago-te as flores. Sempre

[futuro ou passado presente? )



Texto e foto de Madness

domingo, novembro 14, 2004

... olhar

rio ticino, 2004


falo daquilo que vejo, embora possas pensar que sou cego.
trago-te as palavras sem socorro no escuro.
deixo-as nas cores para que desenhes a saudade do futuro.

[digo-te que o futuro não existe. somos apenas passado e presente]



Texto e imagem de Madness

quinta-feira, setembro 09, 2004

Saudade


substantivo feminino

1.melancolia causada pela lembrança de um bem de que se está privado;


2.nostalgia;


3.mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou acções; pesar;


4.plural cumprimentos a uma pessoa ausente;


5.plural lembranças;


6.plural BOTÂNICA nome de várias plantas da família das Dipsacáceas e das Compostas, e das flores respectivas;


(Do lat. solitáte, «solidão»)


In Infopedia da Porto Editora


Foto de Rui Vale de Sousa

quarta-feira, agosto 25, 2004

Saudade


Saudade
Letra de sentir que não se
Canta
Mundo perdido
Fabrica de sonhos

Sinto-a
No teu advir e
Percorro sem passos teu caminho
Porque senão morro

E sei-te aí filha do mundo

Vejo-te
No periscópio da vida
E amo-te
Como a estrela que brilha de dia
Aceno-te um desejo
A ti
Que és sempre meu
Beijo



A foto é do Rui Vale de Sousa , o poema é do mesmo poeta de ontem )

terça-feira, julho 27, 2004

Poema de Sete Faces


Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos!
ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima,
não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.


Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond