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quinta-feira, fevereiro 09, 2012

O acordo ortográfico

O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente malfeito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado. Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos que talvez ocorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras), e o governo apressadamente o impôs como lei, fazendo com que um acordo para unificar a ortografia vigorasse apenas aqui, antes de vigorar em Portugal. O resultado foi uma norma cheia de buracos e defeitos, de eficácia duvidosa. Não sei a quem o acordo interessa de fato. A ortografia brasileira não será igual à portuguesa. Nem mesmo, agora, a ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de grafias duplas permite inclusive a construção de híbridos. E se os livros brasileiros não entram em Portugal (e vice-versa) não é por conta da ortografia, mas de barreiras burocráticas e problemas de câmbio que tornam os livros ainda mais caros do que já são no país de origem. E duvido que a ortografia seja uma barreira comercial maior do que a sintaxe e o ai-meu-deus da colocação pronominal. Mas o acordo interessa, é claro, a gente poderosa. Ou não teria sido implementado contra tudo e todos. No Brasil, creio que sobretudo interessa às grandes editoras que publicam dicionários e livros de referência, bem como didáticos. Se cada casa brasileira que tem um exemplar do Houaiss, por exemplo, adquirir um novo, dada a obsolescência do que possui, não há dúvida que haverá benefícios comerciais para a editora e para a Fundação Houaiss – Antonio Houaiss, como se sabe, foi um dos idealizadores e o maior negociador do acordo. O mesmo vale para os autores de gramáticas e livros didáticos – entre os quais se encontram também outros entusiastas da nova ortografia. E não é de espantar que tenham sido justamente esses – e não os linguistas e filólogos vinculados à universidade – os que elaboram o texto e os termos do acordo. Nem vale a pena referir mais uma vez o chttp://www.blogger.com/img/blank.gifusto social de tal negócio: treinamento de docentes, obsolescência súbita de material didático adquirido pelas famílias, adequação de programas de computador, cursos necessários para aprender as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas. De meu ponto de vista, o acordo só interessa a uns poucos e nada à nação brasileira, como um todo. Já Portugal deu uma prova inequívoca de fraqueza ao se submeter ao interesse localista brasileiro, apesar da oposição muito forte de notáveis intelectuais, que, muito mais do que aqui, argumentaram com brilho contra o texto e os objetivos (ou falta de objetivos legítimos) do acordo.

Paulo Franchetti, director da editora da Unicamp descoberto nos Dias Felizes

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Lost Angels' Project to Kill Mankind



Dos diários dos dois jovens responsáveis pelo massacre de Columbine (em 1999, no Colorado, EUA) saiu o conceito deste projecto do Teatro da Garagem onde se procura “localizar a possibilidade geradora de uma visão de humanidade e do sublime na transparência cristalina da palavra que é proferida.

“Anjos Perdidos”, ou “L.A. – Lost Angels’ | Project to Kill Mankind”, é um espectáculo para adolescentes (M/12) co-produzido pela Fábrica das Artes e Teatro da Garagem.

In Público

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Pátria



A pátria não são as bandeiras, nem hinos, mas um punhado de lugares e pessoas que povoam as nossas lembranças e as tingem de melancolia

Mário Vargas LLosa ( discurso de aceitação do Prémio Nobel da Literatura 2010 )


Foto de Luís Miguel Duarte

quinta-feira, junho 04, 2009

Viajar



Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.

Álvaro de Campos


Exposição de pintura, “desejada suspensão”

Inauguração 6 de Junho, entre 16h00 | 20h00
A exposição pode ser visitada até 27 de Junho
Galeria PLUMBA, localizada no Porto, à Rua Miguel Bombarda

sexta-feira, maio 29, 2009

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Problemas de comunicação



Descrição na embalagem de um quebra-nozes/saca-rolhas comprado numa loja de produtos 'made in China':

Rachas todas os tipos de nutt-concha e protege o coração. Abra parafuso-xicaras sem qualquer problema e mantenha cabo toda champanha-cortiça.


Foto de João Coutinho

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Life is sweet and...



The last resplendecent morning star
heralded the coming of the sun on high
No mist or shadow dared to mar
the sheer prefection of the cloudless sky
from where a gentle breeze would blow
caressing the faces down below
as if to murmur into the heart’s recesses
Life is sweet and…
Life is sweet


De Dionysios Solomos ( no livreto da banda sonora de Eleni Karaindrou para o filme Eternity and a Day de Theo Angelopoulos )


Foto de João Coutinho

quarta-feira, novembro 05, 2008

Cruzamentos subliminares



Estes ‘cruzamentos subliminares’ projectam nas telas o impacto que as palavras de José Luís Peixoto, mais precisamente as da obra ‘ a casa, a escuridão’ , tiveram na pintura de Maria João Patronilho.

Este é um momento fulcral do trajecto da pintora: o lugar onde tudo se clarifica nas palavras dos outros, o instante onde tudo o que se transporta connosco muda algo na forma de exprimir. O cruzamento.

Afinal, de que somos feitos? Arriscamo-nos a responder que de todas as emoções que se gravaram subliminarmente nas nossas regiões mais subterrâneas e que foram moldando o nosso olhar.

Hoje, é este o olhar da Maria João.

E nós, como vemos este olhar? Talvez a Francisca, sua filha, tenha a resposta mais simples e precisa:

Quando estás aqui, vejo a tua arte, o teu sentido de ser, o teu vermelho e preto numa tela branca. Vejo o sol, o fogo, a chama.

sábado, novembro 01, 2008

Receita



Quando tiveres um segredo, sobe ao alto de uma montanha, procura uma árvore, faz um buraco no tronco, sopra o segredo para o buraco e tapa-o bem com lama.

Receita de Kar-Wai em In the mood for love


Foto de João Coutinho

quinta-feira, setembro 04, 2008

Dos relógios



...de nada vale encontrar a pessoa certa, se for antes ou depois da altura certa...

Chow em 2046 ( Wong Kar-Wai )

quinta-feira, maio 15, 2008

Constatação




VLADIMIR O pior não é pensar.
ESTRAGON Talvez não. Mas pelo menos há isso.
VLADIMIR Isso o quê?
ESTRAGON É isso mesmo, vamos fazer perguntas um ao outro.
VLADIMIR O que é que queres dizer com pelo menos há isso?
ESTRAGON Pelo menos há menos miséria.
VLADIMIR É verdade.
ESTRAGON Bom e se déssemos graças à nossa felicidade?
VLADIMIR O que é terrível é ter pensado.


In À espera de Godot de Samuel Beckett


O único sentido íntimo das coisas é elas não terem sentido íntimo nenhum.

In Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro


Foto de João Coutinho

sábado, março 29, 2008

Resumo e conclusão



Quando pensava nela, ficava pasmado por ter deixado partir aquela rapariga com o seu violino. Agora, claro, percebia que a proposta abnegada que ela lhe fizera era irrelevante. Tudo de que ela precisava era da certeza do seu amor e de que ele lhe garantisse que não havia pressa, quando tinham a vida inteira pela frente. Amor e paciência...

In a Praia de Chesil de Ian McEwan


Foto de João Coutinho

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Numa praia qualquer



From the precise and intimate depiction of two young lovers eager to rise above the hurts and confusion of the past, to the touching story of how their unexpressed misunderstandings and fears shape the rest of their lives, On Chesil Beach is an extraordinary novel that brilliantly, movingly shows us how the entire course of a life can be changed – by a gesture not made or a word not spoken.

On Chesil Beach de Ian McEwan


Foto de João Coutinho

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Valentine



Não salvamos a nossa alma só por pintarmos tudo de branco.

Ettore Sottsass

segunda-feira, novembro 05, 2007

Notas soltas



A verdade é que o leitor mudou. Os livros, hoje, são produtos de consumo. As pessoas compram livros como compram um electrodoméstico, ou uma vitamina. O livro tem que servir para alguma coisa, tem que resolver um problema específico. Em outras palavras, as pessoas compram o livro para se enganarem.

Patricia Melo em entrevista à revista Ler


Foto de João Coutinho