sábado, abril 28, 2007

Do Baú: Vidro



Estava estilhaçada em fragmentos
Estava nas paredes sujas dos prédios na cidade
Nas valetas com papeis desfeitos e latas de coca-cola
Nos carros e no fumo negro dos canos de escape
Nas televisões em volume máximo
Nas pessoas a correr aos tropeções
Nos cães com sarna e nas crianças desabrigadas
Estava estilhaçada na dor e no ruído

Um dia uma mão dourada pegou no vidro translúcido
Que brilhava na calçada e guardou-o no coração
Então encontrei-me no silêncio e fiquei só uma



Foto de João Coutinho

terça-feira, abril 17, 2007

domingo, abril 01, 2007

Correspondances



La Nature est un temple où de vivants piliers
Laissent parfois sortir de confuses paroles;
L’homme y passe à travers des forêts de symboles
Qui l’observent avec des regards familiers.
Comme de longs échos qui de loin se confondent
Dans une ténébreuse et profonde unité,
Vaste comme la nuit et comme la clarté,
Les parfums, les couleurs et les sons se répondent.
Il est des parfums frais comme des chairs d’enfants,
Doux comme les hautbois, verts comme les prairies,
— Et d’autres, corrompus, riches et triomphants,
Ayant l’expansion des choses infinies,
Comme l’ambre, le musc, le benjoin et l’encens,
Qui chantent les transports de l’esprit et des sens.


Baudelaire in Les Fleurs du Mal



«Sajaja bramani totari ta, raitata raitata, radu ridu raitata, rota» – proferem as Vozes indistintas, de tempos diversos, que, nas profundezas do ser, se avistam clamorosas e cintilantes. São os cânticos sensoriais da verdade inata das coisas que, mesmo em artes dissemelhantes, se correspondem, se atraem.

Texto de LucifADES