Cartas para lugar nenhum: would you?

(... ) Uma das coisas que mais o aproximava da mulher consistia precisamente em conseguir isso com ela sem necessidade de se vestir de frases, a capacidade de se entenderem num rápido soslaio e que nada tinha a ver com o conhecimento um do outro porque desde a primeira vez em que se encontraram fora assim, eram ambos então ainda muito novos e haviam-se quedado siderados com a estranha força oculta daquele milagre que com quem mais ninguém lhes sucedia, união tão perfeita e tão funda...
António Lobo Anuntes in Memória de Elefante
E tu? Irias ao fim do mundo por esta cumplicidade?
Foto de João de Coutinho


6 Comments:
Talvez, quem sabe...
Gosto do Lobo Antunes, mas ele dá muito trabalho a ler...
Bfds, beijinhos.
Concerteza que esta mensagem tem um destinário em concreto...
Eu por por esta cumplicidade vou sim, até ao fim do mundo, embora devido às voltas que a vida nos dá, por vezes seja difícil gerir certas situações por medo do que possa acontecer, mas nunca gostei de ficar com "e se" na minha vida...sei que sabes a que me refiro ;)
Beijo
Quem sabe? quem sabe?
jnh
"Com" essa cumplicidade não iria ao fim do mundo! Estaria bem onde e com quem estivesse.
"Por" essa cumplicidade procuraria o "quem" e longe o faria pelo "onde".
Desejo ser com o ser, naturalmente. O ter o ser pouco me diz. A posse pelo que não é possível ter por ter é apenas uma ilusão. Insegurança.
A cumplicidade está no ser aquilo que se é. Tirar a mascara ou a cosmética. Quebrar as barreiras do preconceito e da futilidade.
Não vale a pena ir ao fim do mundo por causa disso. Até porque o fim do mundo é sempre o princípio do mundo, dependendo da posição geográfica...
Isso que o António "Wolf" Antunes escreve está ao alcance de cada um... Não é novidade. Como sempre... se não é por palavras é por outra coisa qualquer que temos necessidade de vestir. Vestir sempre tudo menos de autenticidade.
"Se destruíssem
todos os sonhos
dos homens, a
Terra perderia
suas formas e
suas cores, e nós
adormeceríamos
em uma cinzenta
estupidez."
Tentei ler esse livro duas vezes, já lá vão meia dúzia de anos... na altura escolhia a maior parte das minhas leituras pelos titúlos dos livros. Hoje nem por isso.
Talvez tente novamente.
Quanto à tua pergunta, neste momento não consigo, sequer, levantar-me daqui.
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